Imagens da Pandemia

Artigo 23/04/2020


A pandemia do Coronavirus não só trouxe morte e desolação, trouxe também a constatação da extrema pobreza que existe em todo o mundo e, em particular, no Brasil. Os óbitos têm se apresentado em número muito elevado em alguns países, em número menor em outros, mas crescendo em todos os lugares diariamente.

Embora as ações de defesa contra o vírus sejam múltiplas em todos os países em que ele chegou, denota-se que nenhum deles se encontrava preparado para esse ataque ou de qualquer outro de idêntica natureza, inclusive países de grande poderio econômico e financeiro, a exemplo dos Estados Unidos da América do Norte, Alemanha e Inglaterra.

Tristes as imagens divulgadas por canais de televisão, de corpos insepultos e deixados abandonados pelas ruas por horas e dias à espera do serviço funerário público, como em Guayaquil, no Equador. Em Nova York, uma ilha antes utilizada por um presídio, transformou-se em cemitério para as vítimas do vírus. Em São Paulo, o governo mandou abrir centenas de covas num determinado local para receberem os corpos, quase à semelhança de uma vala comum.

São cenas que mexem com os sentimentos das pessoas, que ficam privadas de sepultarem seus mortos com dignidade, que se quer têm o direito de ver seus entes queridos depositados nas urnas funerárias, de realizarem seus velórios e de acompanhá- los às suas últimas moradas. Privados os mortos dos costumes rituais, sofrem inesquecivelmente seus parentes pela falta dos cerimoniais religiosos.

Ao lado dessas horríveis imagens outras ocorrem, estas com os vivos que conseguem escapar do vírus. São as cenas de pobreza e de extrema pobreza que estão submetidas pessoas, famílias e comunidades. No Brasil são 50 milhões de pessoas que vivem na linha de pobreza e mais de 15 milhões que vivem na pobreza extrema, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O Coronavirus está matando pessoas e também mostrando as desigualdades sociais no Brasil e no resto do mundo. Pessoas pobres, indefesas, frágeis, sem emprego, sem renda, sem assistência, residentes em favelas, moradores de ruas, pedintes, padecem muito mais, em consequência das condições de pobreza que pela ação do próprio vírus. As imagens divulgadas levam à compaixão por tais pessoas.

Ao passar esta pandemia o Brasil não será o mesmo. Empregos perdidos, empresas fechadas, produção desacelerada, consumo reduzido, orçamento público diminuído, com maior sofrimento para as pessoas pobres. O Estado brasileiro haverá de implantar novas políticas públicas e olhar com outros olhos para a pobreza, para cumprir o seu objetivo constitucional de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais regionais.

Todas essas imagens da pandemia devem ser objeto de preocupação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Brasil, que devem se esforçar em conjunto para o bem de todos agindo harmonicamente, fato que lamentavelmente não vem ocorrendo. É preciso que os chefes destes poderes deixem de lado suas diferenças e seus interesses pessoais, pois a eles cabe a responsabilidade de agir com vistas a recuperar o país em menor espaço de tempo e com os mínimos traumas possíveis, fazendo prevalecer os interesses e as necessidades do povo brasileiro.

Ailton Elisiário

Economista



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