Dívidas e controle do orçamento das pessoas

Artigo 10/06/2020


Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional) realizada pela Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), é “apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores. Das informações coletadas, são apurados importantes indicadores: percentual de consumidores endividados, percentual de consumidores com contas em atraso, percentual de consumidores que não terão condições de pagar suas dívidas, tempo de endividamento e nível de comprometimento da renda.”

O último resultado divulgado, mostra que, em maio, o percentual das famílias endividadas em nosso país alcançou um total de 66,5%, aí incluídos tanto os em atraso como os inadimplentes. O número é inferior ao verificado em abril/2020 (66,6%), mas superior ao mesmo mês de 2019 (63,4%). Já a inadimplência é considerada o percentual com atraso superior a 90 dias. Os que não têm condição de pagar suas dívidas são 11,7% com renda de até 10 salários mínimos e 3,3% daqueles com renda superior.

O maior índice de dívida das famílias é o cartão de crédito (76,7% do total). A taxa de juros do cartão entre os maiores bancos está na média de 12% ao mês, algo em torno de 300% ao ano, mas existe banco com taxa de 800% ao ano.

Segundo a CNC a inadimplência não mostra “trajetória explosiva”, talvez pelas medidas governamentais de auxílio à renda que teriam contribuído para a queda, embora pequena, por estarem as pessoas mais tendentes a se recuperar dos problemas que surgiram, pagando um pouco do devido. Tanto para as famílias de renda mais baixa (até 10 salários mínimos) como as nas faixas de renda mais altas, houve queda no endividamento; mas ai se manifesta a desigualdade: nos das faixas superiores de renda o endividamento é de 11%, enquanto os das faixas inferiores é de 28,5%.

Quanto à capacidade de pagamento, para as duas faixas de renda a dívida estava na média de 29% do total dos rendimentos. Acima do desejável. O tempo médio para quitação é de 7,2 meses, sendo 23,5% até 3 meses e 34,4% por mais de um ano. Pela retração da economia, com muitas pessoas perdendo seus empregos e renda, talvez seja necessária uma política de congelamento dos valores devidos pelos incapazes de honrar seus compromissos, até a retomada da produção e do consumo, com prazos alongados para sua liquidação, como já ocorreu em outras crises, não só no Brasil como em outros grandes países.

Mas, vamos agora ao outro peso da balança. Como tratar o endividamento.

Nesta crise, muitas famílias estão enfrentando perda de renda. Por isso mesmo, é necessário procurar alternativas viáveis para superação desses problemas, ainda que em meio às grandes dificuldades.

O Banco Central do Brasil oferece recomendações quanto à abordagem de tão importante questão, disponibilizando em seu portal interessantes cartilhas de cunho educativo, a exemplo de instituições da sociedade civil e de grandes instituições financeiras.

Pelo Banco Central são abordados temas de alto relevo que resumiremos a seguir:

1º. Analise o real impacto em sua renda – Quanto você perdeu? Existe forma alternativa de conseguir rendimentos? Procure os benefícios sociais a que você tem direito.

2º. Verifique suas dívidas – valores, prazos de pagamento, taxas de juros.

3º. Tente renegociar – redução do montante, novas taxas de juros, prazos alongados de pagamento. Consulte um advogado, se for o caso.

4º. Reorganize seus gastos. Elimine o que for possível, substitua os bens de consumo de preço mais altos e os supérfluos, aqueles que não são indispensáveis, os que podem ter sua compra adiada. Não compre além do necessário. E nada de desperdício, seja no consumo de água e de energia, de alimentos. Evite as multas.

5º. Faça pesquisa de preços – Procure nos sites dos fornecedores (supermercados, farmácias, postos de combustível). Guarde as notas de compra para fazer uma comparação dos preços anteriores e os que estão sendo cobrados agora.

6º. Qual será sua nova renda – verifique se é compatível com seus gastos. Faça uma planilha discriminando seus gastos e compare com o que você ganha.

O Banco Central disponibiliza gratuitamente o Caderno de Educação Financeira com Foco na Gestão de Finanças Pessoais. Acesse e tire bom proveito.


Economista Arlindo Almeida


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