Perspectivas 2021: O Brasil no Mundo

Noticias 05/01/2021

Certamente o ano novo será bem melhor, comparado ao terrível ano de 2020. Os grandes problemas ainda serão a pandemia COVID 19, a recuperação econômica e como criar uma vida social, política e cultural capaz de prevenir, evitar e solucionar crises sanitárias, como a atual, e seus efeitos devastadores?


Certamente o ano novo será bem melhor, comparado ao terrível ano de 2020. Os grandes problemas ainda serão a pandemia COVID 19, a recuperação econômica e como criar uma vida social, política e cultural capaz de prevenir, evitar e solucionar crises sanitárias, como a atual, e seus efeitos devastadores?

O desenrolar dessa problemática será distinto nos países desenvolvidos e emergentes, por exemplo, nos EUA, União Europeia (UE), China e Brasil. As dificuldades econômicas serão cada vez mais complexas. Quanto à pandemia, a grande conquista será a vacina. Mas ela será igualmente acessível aos países subdesenvolvidos?

É inegável que a China foi vitoriosa no malogro mundial em curso, ao vencer a crise de coronavírus. Em 2020, com a sua população de 1,4 bilhão de habitantes, desde o mês de março não passou de 87 mil pessoas infectadas e 4,6 mil mortas. A sua economia cresceu 2%, quando o PIB mundial sofreu uma queda acima de 4%.


fonte: https://wscom.com.br/coluna/perspectivas-2021-o-brasil-no-mundo/

A negligência com a pandemia, em 2020, saiu caro. Os EUA ficaram em 1o lugar: 20 milhões pessoas infectadas e 344 mil mortas, e o Brasil em 2o: 7,7 milhões de infectados e 195 mil mortos. Nos países da Europa, os números foram menores, mas altos e maiores em relação à população. O PIB dos EUA caiu 4,3, o do Brasil 4,4 e o da UE 7,4%.

Em 2021, os danos econômicos da CONVID 19 continuarão fortes, mas os avanços no tratamento e imunização serão muito favoráveis. Nas previsões dos FMI, OCDE e Banco Mundial, o PIB mundial crescerá 5%, o dos EUA 3%, o da União Européia 4,2% e o da China 8%. Mas só no caso chinês se alcançaria um PIB maior do que o de 2019.

A solução comandada pelos governos gerou pesados ônus fiscais que dificultarão a dinâmica econômica. Nos EUA, os deficit e divida públicos/PIB passaram de -6,3% e 109% em 2019, para -15% e 131% em 2020, devendo ser de -8% e 134% em 2021. Na UE, essas percentuais foram de, respectivamente, 0,6% e 84%, -10% e 101% e -5% e 100%, e na China -6,4% e 54%, -10,2% e 63% e -5% e 52%.

O PIB da economia brasileira, há 6 anos anda mal: decresceu 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016 e, de 2017 a 2019, cresceu 1,2% ao ano. Em 2020, sob o peso da pandemia, caiu 4,4% e o desemprego foi de 12,2% para 14,3%. As políticas públicas de benefícios sociais e subsídios empresariais salvaram o país do caos, mas com forte impacto fiscal.

A dívida e o deficit públicos do país, em relação ao PIB, passaram de, respectivamente, 76% e 6%, em 2019, para 93% e 16% em 2020. Para 2021, prevê-se um crescimento do PIB de 3,5%. Para o governo, vai ser um difícil dilema manter ou não as ações anticrise: sem elas há riscos para a recuperação, com elas risco de implosão das finanças públicas. O financiamento da dívida pública exigirá taxa de juro cada vez maior.

O Brasil entrou em 2021 com a economia em alta capacidade produtiva ociosa, cujo uso permitiria o seu PIB ter sido 9% maior do que foi em 2020. Há dois anos, o governo tem procurado recuperar a economia ativando com seus gastos a demanda de consumo, sem a devida atenção aos investimentos. Essa pretensa solução chegou ao impasse.

A recuperação da economia teria que integrar um projeto nacional de desenvolvimento com os seguintes focos: infraestrutura, eficiência produtiva, educação, ciência, tecnologia e inserção na globalização. Isso requer planejamento, de curto a longo prazo, com ações, investimentos e parcerias público-privadas, que o governo não sabe ou não pretende fazer.



Rômulo Soares Polari

Professor e ex-reitor da UFPB


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