O barato que pode sair caro

Artigo 07/05/2012

Por José Fernando Chagas


A grande novidade na mídia brasileira nas últimas semanas foi a redução drástica das taxas de juros promovida pelos bancos oficiais por recomendação da presidente Dilma Rousseff, corroborando com esta iniciativa, a decisão do COPOM-BACEN[1] de reduzir para 9% a taxa Selic deste mês de abril, parâmetro de fundamental importância da política monetária do governo. Já não é de hoje que a presidente reclama dos altos juros cobrados na economia brasileira, a redução dos juros “no grito” deve-se a fatores externos (baixa demanda por investimentos de ativos financeiros na Europa e em alguns países da América Latina e África, sobrando dólares no mercado financeiro) e internos (grandes reservas em moedas estrangeiras no banco central, desaceleração da atividade industrial, inflação controlada [regime de metas] necessidade de manter o ritmo do crescimento econômico em um patamar mínimo de 5% ao ano) de dimensão macroeconômica que conspiraram a favor da vontade da presidente do Brasil. Bom para o consumidor adimplente que pode adquirir um carro novo financiado a juros menores, um ipad de última geração e bom para o consumidor inadimplente que pode “vender” sua dívida para outra instituição que cobre taxas menores, saindo do arrocho financeiro.

Mesmo com esse cenário “azul-celeste” é dever de ofício alertar o nobre leitor deste blog. Não é bom ser estraga-prazer, aquele chato que estar sempre dizendo; faça isto, não faça aquilo, é certo que neste mundo ninguém detém a verdade absoluta, mas convém alertar para as consequências dessas medidas. A economia é repleta de co-relações, não podemos alterar um status quo estabelecido há várias décadas para determinado fluxo financeiro de um ativo sem provocar reflexos no fluxo geral de capitais no médio e longo prazo de todo o sistema. A recente flexibilização da lei que rege a poupança, alterando sua remuneração para acompanhar uma taxa Selic de 8,5% ou menos nos próximos meses ainda é uma incógnita no tocante aos seus efeitos reais. Se houver uma grande migração de ativos da poupança para outras aplicações, o governo terá que aplicar outras medidas, talvez mais impopulares que a atual limitação em 70% do valor da Selic de um teto igual ou abaixo de 8,5% da mesma.

Em nossa opinião, não recomendamos que nenhum investidor com capital inferior ou igual a 50 mil reais migre da poupança para outra aplicação que acene com juros reais de 3% a 6% ao mês, o cenário ainda é incerto, nebuloso. Desconfie de alguém que ofereça juros reais superiores a 7%; 9% ao mês, é muito tentador. Lembram-se do Banco Santos?  

Não convém aventurar-se em um novo empréstimo agora, a taxa de juros reais no Brasil ainda é a segunda maior do mundo, dentro de uma mesma instituição financeira pode haver taxas diferenciadas de juros com diferença superior a 45% entre diferentes serviços e modalidades de empréstimos, o desnível cobrado das taxas entre o rotativo do cheque especial e um parcelamento comum de um bem qualquer ainda supera, em média, o patamar de 55% em favor do primeiro.

Para reduzir a evasão de divisão via conta turismo, o governo aumentou a taxação sobre despesas nos cartões de crédito de uso dual (nacional e internacional), a inflação no ano passado atingiu a maior variação dentro do projetado pelo governo (6,5%) é uma inimiga de respeito que sempre nos ameaça.  Quem possui uma carteira de investimentos acima de 50 mil reais deve esperar um pouco mais e ver como se comportará o mercado, a não ser que uma aquisição de oportunidade seja plenamente vantajosa. Cautela nessa hora, o barato pode sair caro, muito caro. 


Notícias Relacionadas

LER MAIS

Assembleia debate PEC que acaba com a obrigatoriedade de adesão a conselhos profissionais de classe

23.08.2019

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) debateu, durante sessão especial na manhã desta quinta-feira (22), a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 108/2019, do Governo Federal, que acaba com a obrigatoriedade de adesão a conselhos profissionais de classe.

LER MAIS

Eleições 2019

19.08.2019

A eleição do Corecon-PB neste ano, será novamente pela internet, por meio do site www.votaeconomista.org.br, das 8h do dia 29 de outubro de 2019 até as 20h do dia 31 de outubro de 2019.

LER MAIS

Solenidade comemorativa dos 68 anos de regulamentação da profissão do economista

16.08.2019

Aconteceu na noite desta terça-feira (13), no auditório 211, do CCSA/UFPB, a solenidade comemorativa dos 68 anos de regulamentação da profissão do economista com o objetivo de valorizar a profissão e o profissional de economia, além do estreitar as relações do Corecon-PB as partes interessadas.

LER MAIS

Por uma Estratégia de Política Econômica para Crescer e Gerar Empregos

12.08.2019

Por Antonio Corrêa de Lacerda – Vice-presidente do Cofecon.