Vencendo o Sistema – Parte II

Artigo 21/05/2012

Por José Fernando Chagas


Na abordagem anterior do tema em questão, usamos uma linguagem simples e indicamos algumas técnicas para o trato com o orçamento pessoal ou familiar, sobretudo quando o mesmo encontra-se em situação desequilibrada. Neste artigo, nossa análise concluirá o assunto explorando seu viés sócio-cultural que, invariavelmente produz decisões de fundo psicológico, podendo afetar, para o bem ou para o mal no médio e longo prazo, a saúde financeira (física ou psicológica) de um individuo ou de um grupo familiar. Iniciamos nossas considerações partindo da premissa que há estabilidade financeira em um grupo familiar X sob análise a partir do mês de janeiro do corrente ano: 

 

·         Renda familiar................................R$ 3.500,00

·         Despesas fixas................................R$ 2.100,00

·         Despesas variáveis..........................R$ 1.000,00

·         Nível de poupança..........................R$    400,00 

 

A família X formada por quatro indivíduos planeja adquirir um imóvel maior através de um financiamento pelo Sistema Financeiro de Habitação modalidade FGTS, na ordem de R$100.000,00 necessitando para tal, realizar depósito de 20% do valor do imóvel como entrada, afora as despesas cartoriais e administrativas, utilizando depósitos na poupança, em doze meses, tal família acumularia R$ 4.896,00 valor obviamente pequeno para a realização do negócio, seriam necessários 48 meses para aproximar-se do valor do depósito, entretanto com a dinâmica da economia, a correção inflacionária e a lei da oferta e da procura tornariam impossível a pretensão de tal família. Da parte dos salários, a correção da renda familiar pelo INPC no período, baseando-se em análises históricas não garantiria que a família acumulasse o suficiente para a realização da transação. Na hipótese do responsável da família X contratar um empréstimo junto a um banco para o depósito de 20% do imóvel esta ação afetaria a capacidade de endividamento de toda a família, inviabilizando o mesmo. O financiamento de um imóvel é uma dívida no longo prazo que seria acrescido a uma dívida no médio prazo (as parcelas do empréstimo), situação desconfortável e perigosa. Então, como resolver tal impasse?  É necessário que a família X mexa na sua zona de conforto, altere os gastos com as despesas variáveis, cortando radicalmente R$ 600,00 por mês desta conta e acrescendo o saldo na conta poupança, elevando a mesma para R$ 1000,00 ao mês, acumulando em 24 meses o suficiente para dar entrada no imóvel, inclusive com a correção pelo INPC. Tudo resolvido.

 

Agora é que começa o problema, até que ponto os membros da família X estão dispostos a renunciar o gasto com bens e serviços na sua zona de conforto para ter um novo imóvel? O cotidiano engana os nossos sentidos, existe uma necessidade social (inventada) para possuir certos bens que é mais poderosa do que a necessidade econômica, hoje em dia ninguém vive sem um telefone móvel, quando o celular não existia, a solução era utilizar o telefone fixo residencial ou o orelhão. Hoje, qualquer pesquisa escolar é feita pela internet, viver sem computador, nem pensar!  As nossas bibliotecas estão ficando cada vez mais ociosas, por que necessitamos tanto desses bens?  Podemos começar analisando o meio em que vivemos; na classe média os itens citados são “indispensáveis” a cultura que nos cerca força de modo implícito e explícito a obtenção destes bens de consumo, somos diariamente bombardeados por dezenas de apelos de marketing para sempre consumir, consumir, consumir..., como o cérebro é incapaz de processar duas informações ao mesmo tempo na área da consciência e somos sistematicamente submetidos a estas campanhas, a mente cansa e perdemos o foco no plano original, sutilmente assimilamos as demandas exteriores das inovações tecnológicas, dos modismos, interiorizando essas informações e aceitando-as como ‘normais’ deixando que o sistema nos conduza.  Se a família X não quebrar esse feitiche não conseguirá sua casa nova.

 


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