Aumenta a distância qualitativa entre as classes sociais brasileiras

Artigo 21/05/2012

Por José Fernando Chagas


A mídia eletrônica divulgou recente pesquisa de mercado que aponta o Brasil com grande consumidor de smartphones, na ordem de 27 milhões de aparelhos, superando gigantes da economia mundial como Alemanha e França. Uma revista de circulação nacional divulgou que o país já possui mais de 155.400 milionários, em média, 23 brasileiros se tornam super-ricos por dia. O fenômeno deve-se principalmente ao crescimento sustentado da economia nos últimos 10 anos e ao empreendedorismo desses patrícios.  Em um universo que se aproxima dos 200 milhões de almas vivendo nestas terras o que isto significa na ótica da mobilidade social e do poder aquisitivo do individuo?

O capitalismo na sua essência é um modo de produção concentrador da renda; Smith, Ricardo e Marx em abordagens muito mais convergentes que divergentes exploram bem esse aspecto fundamental do nosso sistema econômico, para o bem ou para o mal, assim funciona a economia positiva. É bem verdade que apesar das favelas envergonharem as grandes cidades brasileiras, já é possível encontrarmos casas e apartamentos nas favelas cariocas com aluguéis variando entre R$700,00 e R$1.500 reais e imóveis para venda na ordem de R$ 500.000,00.  Afinal, que pobreza é essa?  O advento da nossa nova classe média tende, mantidas as projeções otimistas, eliminar a pobreza absoluta brasileira nos próximos cinco anos, é um avanço excepcional para um país que ainda precisa resolver gargalhos gigantescos para tornar-se desenvolvido, a saber; um sistema educacional que mereça esse nome, um eficiente sistema de saúde, uma moderna infraestrutura e um “nível” de corrupção aceitável, seria utopia pensar em nível zero. A diferença da quantidade dos anos de escolaridade e na qualidade dessa escolaridade está aprofundando as diferenças entre as pessoas e as classes sociais no Brasil. Na qualidade de professor, função que também exerço desde 1990, observei este fato de modo cristalino. Não adianta o governo federal reservar cotas para negros e mestiços nas universidades públicas (pessoalmente, este que escreve é classificado na certidão original de nascimento como pardo) se o mesmo não promover o acesso ao ensino público de nível médio e superior tendo com critério fundamental o merecimento. A prova da O.A.B. [1] para o exercício da advocacia corrobora com nossa tese. O próprio governo divulgou nesse mês de maio, através do movimento “Todos pela Educação” que apenas 11% dos alunos brasileiros que terminam o ensino médio são proficientes em matemática, 50% em língua portuguesa... Tratar os “desiguais” de forma desigual, conforme o discurso de alguns, a nosso ver é desrespeitar um princípio fundamental da Constituição Federal de 1988, que reza por igualdade perante a lei entre todos os brasileiros.

 Essa decisão revela a falta de coragem ou de vontade política para transformar profundamente uma orientação ideológica equivocada em voga no M.E.C. [2] que norteia o currículo das nossas escolas, a ineficiência do sistema em não reconhecer a necessidade sempre atual de incluir matérias de ensino tecnicista na segunda fase do ensino fundamental e no nível médio e a desmoralizante corrupção recorrente exemplificada em vários escândalos nesta área fundamental para a sobrevivência de qualquer povo ou nação.  O capitalismo embrutecido que praticamos e, em geral, a má qualidade da educação pública ofertada no país são perigosos agravantes de separação cada vez maior dos brasileiros em classes sociais distintas e por vezes, antagônicas.    


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