Acabou a festa

Artigo 05/06/2012

Por José Fernando Chagas - Economista e Professor


Em recente projeção de cenários econômicos, após divulgação do PIB do último trimestre pelo IBGE, o mercado revisou para baixo o crescimento da economia brasileira, projetando uma expansão para este ano de 2,72% [1]. Era previsto que acontecesse mais cedo ou mais tarde uma retração econômica mais acentuada, nenhum país tem “blindagem” suficiente para resistir por longo tempo a uma crise financeira globalizada. Iniciada em 2007 no mercado imobiliário dos EUA e reforçada pelo efeito da falência do Lehman brothers que contaminou todo o sistema financeiro internacional.  No Brasil, o governo federal tentou replicar o efeito positivo ocorrido em 2010, estimulando o consumo das famílias via redução na carga tributaria em segmentos isolados de bens de consumo duráveis e semiduráveis com comprovado efeito multiplicador de renda.  Entretanto, neste ano, com os reflexos negativos de um câmbio sobrevalorizado, de uma taxa de juros real das mais altas do mundo, de uma desindustrialização precoce e do sempre presente déficit em educação de qualidade que está destruindo a competitividade da indústria nacional frente a outras nações emergentes, não conseguimos repetir a “mágica” da blindagem de 2010.  A nau Brasil começa a fazer água, não adianta tentar colocar a culpa exclusivamente em fatores externos. Enquanto o país não fizer o seu dever de casa; criar uma eficiente infraestrutura para escoar a produção, desonerar as empresas do excesso de impostos, fixar marcos regulatórios que deem segurança jurídica para novos empreendimentos e prover a população de uma educação digna, sempre teremos um calcanhar de Aquiles para nos preocuparmos.
A presidente Dilma tratou de acalmar os mercados afirmando sobre as reservas do Banco Central do Brasil que se encontra em um patamar elevado, é bem verdade que a credibilidade de um país depende do mesmo em honrar os seus compromissos com os credores externos e internos. Mesmo tenho uma situação “confortável” no médio prazo temos que pensar no longo prazo, o motor da nossa economia, sobretudo é constituído por commodities, o nosso maior parceiro comercial, a China começa a desacelerar seu ritmo de crescimento econômico e no futuro, a projeção de consumo de insumos básicos será menor que a atual, exceto para as commodities agrícolas, afinal, o que não faltam são bocas para alimentar no mundo chinês e justamente, o agronegócio enfrenta no Brasil a pressão de um novo código florestal restritivo.    
 Não é segredo que a economia vive em ciclos de expansão/contração, os megaeventos que o país vai sediar nos próximos anos podem servir como estopim para uma grave recessão a partir de 2016 se não forem corrigidas as fraquezas elencadas nesse artigo. Há tempo, há dinheiro, só falta saber se haverá vontade política para reverter os indicadores socioeconômicos negativos que persistem. O segredo é não deixar morrer a galinha dos ovos de ouro da economia brasileira; a exportação de commodities, sobretudo, as agrícolas.
 
No plano regional, há um alento. Em uma medida acertiva, o governo da Paraíba através do decreto 32.056 de 24/03/2011 estabeleceu um tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte no tocante a participação nas licitações para fornecimento de bens e serviços ao Estado. Como qualquer empreendimento, após a fixação dessa nova legislação e do prazo natural de maturação do investimento, começam a serem criadas diversas empresas nessa categoria visando atender o incentivo do governo regional.

A realidade dos fatos deixa cabisbaixos os defensores das políticas macroeconômicas neoliberais, existem muitas semelhanças entre a atual crise econômica e a ocorrida na década de 30 do século XX. Os Estados Unidos só conseguiram se recuperar quando o governo adotou muitas diretrizes de política econômica do inglês Keynes que conclamava o estado a intervir fortemente na economia e ser ele mesmo, protagonista da expansão econômica em tempos de recessão. A História se repete, acabou a “era dos anos loucos”, acabou a festa. 
  
 


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