Para economistas, estratégia para salvar indústria está equivocada

Noticias 08/05/2012

O governo está dando um tiro no pé com a política industrial atual, ao aceitar o discurso de federações de empresários contra os juros altos e o câmbio valorizado, sem atacar o problema estrutural de perda de competitividade do setor.


A avaliação foi feita por economistas durante debate organizado pela Tendências Consultoria. Eles acreditam que as medidas de incentivo tomadas agora agravarão a falta de produtividade nas fábricas e deverão reduzir a capacidade da economia de crescer sem pressionar a inflação.

Para Samuel Pessôa, economista e sócio da Tendências, o processo de desindustrialização é real e não poderia deixar de existir dentro de um modelo de crescimento econômico liderado pela demanda, no qual, motivada por ganhos substanciais de renda, a sociedade prefere consumir em detrimento da poupança.

Esse cenário, diz Pessôa, é adverso ao crescimento da indústria, que prospera em locais onde o custo do trabalho é baixo, mas vai de encontro à vontade da maioria das pessoas. A indústria, portanto, segundo sua visão, deve continuar na berlinda.

“Não é tsunami monetário, não é guerra cambial, é uma questão estrutural de uma sociedade que escolheu ter uma poupança muito baixa”, afirma o economista, para quem os preços robustos das commodities, produtos que lideram a pauta de exportação brasileira, também deixam a indústria em segundo plano. “O desenvolvimento da indústria hoje significa deixar de utilizar os ganhos de termos de troca, cortar o crescimento do salário mínimo, fazer uma série de políticas que a sociedade não quer”.

Nesse ambiente, a desoneração da folha de pagamento de setores específicos da indústria, segundo Pessôa, “dá uma certa isenção” para alguns ramos beneficiados, mas gera confusões a respeito do sistema tributário, já complicado. No mesmo sentido, medidas para taxar o capital externo, desvalorizar o câmbio e encarecer importações fecham a economia e provocam um repique inflacionário, além de piorarem a eficiência da indústria doméstica.

Segundo José Márcio de Camargo, economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), o que foi feito até o momento para incentivar a indústria é “um desastre” para o crescimento de longo prazo, já que as medidas tomadas reduzem a poupança – no Brasil financiada por recursos externos – e desencorajam a inovação em favorecimento de setores tradicionais.

“Essa agressividade contra o capital externo é muito complicada, porque nossa taxa de poupança, de 16% do PIB, é muito baixa”, opina. Sem um nível maior de poupança, diz ele, é muito difícil crescer de forma sustentável.

 

Fonte: http://www.valor.com.br

 


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